domingo, 6 de novembro de 2011

Uma questão de cuidado


Nos dias 7 e 8 do mês de outubro aconteceu no ExpoMinas a primeira Feira Guia do Estudante em Belo Horizonte.  Esta feira, que é realizada em São Paulo desde 2006 pela Editora Abril, é direcionada aos estudantes pré-universitários e conta com simulados, palestras, jogos, debates e estandes de faculdades para oferecer aos participantes a oportunidade de observar com mais cuidado e atenção o momento da tomada de decisão profissional.

A iniciativa de uma importante editora de realizar um evento de grande porte, tal como se destacou esta feira, para abraçar a temática da tomada de decisão profissional é de grande valia para nos auxiliar a pensar que lugar estamos dando e que lugar devemos dar ao momento da tomada de decisão profissional.

Acredito que para um adulto amadurecido, que enfrenta diariamente a nem sempre fácil realidade do mercado de trabalho e das contas que não tiram férias, a tarefa de qualificar a importância do trabalho na vida de um ser humano não seja difícil. Todavia esta mesma tarefa não se dá de forma tão natural, diferente talvez da forma que poderíamos imaginar, a um jovem que ainda não vivenciou, ou o fez de forma muito incipiente, qualquer experiência nesta seara.

O que o jovem traz em sua mochila são planos, desejos, expectativas e ansiedades. Tudo que está por vir será novo, serão novas descobertas, virão coisas boas e outras nem tanto. É necessário que ele tenha consciência de como este momento é importante e pode definir toda sua vida, inclusive o levando para caminhos que ele, talvez, possa não gostar, e se prepare para enfrentá-lo. É um momento que exige reflexão, conhecimento, informação, amadurecimento e responsabilidade.

Acredito que não seja interesse de ninguém, jovem ou não, se perder nas ondas da vida por ter sido ludibriado um dia por falsas idéias acerca de um caminho desconhecido e, como conseqüência, ter que conviver com sonhos e desejos frustrados.

O momento da tomada de decisão profissional merece um lugar especial. É neste momento que, de fato, iniciamos nossa trajetória profissional. É aqui que definiremos o caminho que tomaremos para buscar tudo que ansiamos. É importante que o jovem tenha consciência disso. É importante que aqueles que o cercam (família, escola, amigos) o auxilie, na mediada de sua necessidade, a ter esta consciência. E quando ciente de tudo isso, se prepare para enfrentar o momento que, sem qualquer sombra de dúvidas, exigirá algumas das decisões mais importantes de sua vida.     

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais é menos?



No livro "O paradoxo da escolha. Por que mais é menos", de Barry Schwartz, é possível observar uma interessante reflexão acerca das quase infinitas possibilidades de escolhas que a cultura do consumo nos oferece. Ele entende que quando as possibilidades de escolhas ultrapassam os limites da normalidade, elas deixam de ser alicerces da autonomia e se tornam aliadas da angústia. Ele diz que "Na medida em que a quantidade de escolhas continua crescendo, começam a aparecer os aspectos negativos de haver um número infinito de opções. A quantidade de escolhas cresce e seus aspectos negativos aumentam gradativamente até nos sufocar".
 
Em seu livro ele trata das escolhas que nos deparamos em quase todas as esferas de vida, como educação, carreira, amizade, religião, consumo, relações amorosas, entre outros. É importante refletirmos sobre a premissa colocada por Schwartz no que tange as questões sobre as ofertas de possibilidades no campo profissional.
 
Dia após dia as ofertas de possibilidades de formação e qualificação profissional se multiplicam e nos atingem de formas cada vez mais contundentes pelos mais diversificados veículos de mídia. Esta é uma realidade a qual não podemos nos furtar. Todavia é importante pensarmos se este excesso de ofertas realmente pode se tornar angustiante.
 
Talvez o excesso por si só não tenha poder suficiente para isso. Mas em relação com sujeitos que trazem consigo dúvidas sobre suas escolhas profissionais, seja no momento da decisão profissional ou durante o exercício da profissão escolhida, este excesso de ofertas de possibilidades de formação e qualificação profissional pode, realmente, se tornar angustiante. Podemos entender que isto se revela na medida em que o sujeito, ansioso em encontrar uma profissão que o realize e sem saber que caminho seguir, é abalroado por um verdadeiro arsenal de sedutoras ofertas, o que finda por evidenciar a angústia que já o aplacava ou mesmo desencadear uma angústia latente proveniente de ansiedades e/ou insatisfações relacionadas com a escolha profissional.
 
Observamos claramente, agora, como o excesso de ofertas de possibilidades de formação e qualificação profissional pode se tornar um poderoso agente "causador" de angústia. De igual forma dúvidas sobre a decisão profissional puderam ser observadas e entendidas como fator que possibilita este excesso de ofertas se tornar tão poderoso.
Diante destas observações, mais uma vez, me inclino ao trabalho de Orientação Profissional, que com seu tripé basal: Auto-conhecimento, Conhecimento das influências e Informação Ocupacional, oferece ao sujeito que quer realizar sua escolha profissional subsídios importantes que favorecem uma decisão profissional madura e autônoma.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reflexão sobre a matéria: "Como tomar decisões: Ensine seu cerebro a escolher melhor" da revista Super Interessante de Setembro de 2011


 

Na matéria da revista Super Interessante deste mês, Alexandre de Santi expõe uma observação biologicista sobre o processo de tomada de decisão. Assim ele diz de uma engrenagem cerebral composta por três instâncias capazes de determinar as decisões que tomamos. São elas a razão, o instinto e a experiência. Cada uma das instâncias, quando acionadas, isoladamente é responsável por produzir e/ou liberar substâncias químicas cerebrais capazes de determinar a forma com que o indivíduo irá lidar com a situação posta afim de realizar a tomada de decisão.

Voltando nossos olhares à tomada de decisão profissional, podemos encontrar algumas semelhanças entre o que disse Alexandre de Santi em sua publicação e o que diz a teoria da orientação profissional Clínico-Operativo, sobretudo tomando como referência o tripé que compõe sua base: Autoconhecimento, informação ocupacional e conhecimento das influências:

Razão X Informação Ocupacional

Quando a matéria cita a razão como uma instância capaz de determinar decisões, ela a caracteriza por ser responsável pela frieza no momento da decisão, por realizar os cálculos das conseqüências das decisões. Podemos correlacionar esta instância a informação ocupacional, uma vez que o ato de buscar informações sobre o universo das profissões pode ser entendido como um exercício de observar, de se atentar e de se firmar na realidade. Assim o indivíduo terá informações suficientes, como sobre a grades curriculares de cursos, sobre a realidade do mercado de trabalho e sobre a média salarial, para lhe auxiliar na tomada de decisão profissional.

Instinto X Autoconhecimento

É dado ao instinto, também enquanto instância capaz de determinar decisões, a característica de atuar em prol da vida através de lampejos, que, inclusive, pode preterir o que profere a razão. Aqui, talvez, o autoconhecimento possa servir de contraponto para pensarmos na decisão profissional. Caminhar rumo ao autoconhecimento significa adiquirir maior clareza das aptidões, dos interesses e das habilidades, ou seja, tornar consciente estes importantes elementos que muitas vezes não recebem a atenção e o tratamento necessários.

Experiência X Conhecimento das Influências   

Por fim, quando Alexandre de Santi fala sobre a experiência, e para isso ele a caracteriza como uma espécie de arquivo cerebral capaz registrar fatos agradáveis e desagradáveis para serem utilizados como parâmetro para serem repetidas ou não, podemos correlacionar com o conhecimento das influências. Na medida em que o indivíduo tem clareza das pessoas, situações e fatos que exercem influências sobre ele, e aqui valem influências positivas e negativas, ele tem mais autonomia para administrar todos os elementos que, em maior ou menor grau, o afetam.


Apesar de se tratar de visões acerca da tomada de decisão totalmente diametrais, é possível encontrar interseções interessantes que findam por aproximá-las. Mas diante destas diferenças valho-me em observar um fundamental detalhe que as impedem de caminhar lado a lado. A teoria biologicista descrita por Alexandre de Santi roga que no momento da tomada de decisão apenas uma das instâncias, razão, instinto ou experiência, será responsável por conduzir o indivíduo a uma determinada decisão. Já a teoria referente a orientação profissional entende a importância da atenção, concomitantemente, à todos os elementos que compõe sua base, o seu tripé: Autoconhecimento, informação ocupacional e conhecimento das influências.

Acredito que olhares diversos sobre a temática da toma de decisão, sobretudo sobre a tomada de decisão profissional, tem muito a acrescentar às nossas reflexões. O momento da decisão profissional, como sabemos, não é simples ou banal e requer atenção e cuidado. Frente a este precioso momento temos que ter nossas mentes abertas para receber novos elementos para colaborar neste processo de reflexão, mas não sem deixar a crítica de lado.

domingo, 21 de agosto de 2011

Trabalho, sociedade e responsabilidade


Podemos dizer que para realizar a escolha profissional de forma madura e responsável é importante que nos atentemos a alguns fatores, como o conhecimento mínimo sobre o curso pretendido (o que se estuda, onde se pode atuar, qual a média salarial, etc.), o autoconhecimento (as aptidões, os interesses e as habilidades) e as influencias (as tendências, os amigos, a família, etc.).

Se não bastasse tantos elementos para se equacionar neste momento de decisão, chamo a atenção para mais um, que, apesar de ter um peso diferenciado dos demais, se faz tão importante quanto eles. Que seria a responsabilidade do indivíduo enquanto profissional para com a sociedade em que vive.

Não podemos nos furtar da observação crítica das disparidades socioeconômicas que atualmente se estabelecem aos nossos olhos. Na forma de estruturação e organização da nossa sociedade, podemos e devemos intervir nesta realidade contribuindo com práticas tanto assistenciais, quanto de empoderamento e de viabilização de condições de acesso a direitos em prol da grande parcela da sociedade que hoje não tem acesso, apesar de ter necessidade, ao que muitas profissões oferecem. É fazer de nossa profissão ferrmenta. É alcançar a cada um levando o conhecimento que tivemos a oportunidade de adiquirir no processo de formação profissional.

É pensando nisso que lhe convido a também pensar, tanto no momento da decisão profissional, quanto posteriormente, em como e quanto podemos ser efetivos, enquanto profissionais, empreendendo ações que tenham como foco a grande parcela socioeconomicamente desfavorecida da sociedade.  

domingo, 14 de agosto de 2011

A escolha equivocada

Os riscos de se realizar a escolha profissional de forma equivocada não são pequenos. Digo isto na medida em que é possível observar o grande número de fatores capazes de influenciar o indivíduo neste momento e a relação direta que eles estabelecem: Quanto maiores forem os fatores capazes de exercer influência sobre o indivíduo no momento da decisão profissional, maiores serão as possibilidades de se tomar a decisão de forma equivocada.

Como já tratado em textos anteriores postados neste blog, é plenamente possível minimizar os efeitos das influências que podem se fazer presentes neste momento. Assim permitindo que o indivíduo tenha condições de realizar sua decisão profissional da melhor forma possível, com autonomia e responsabilidade.

Em meio às diversas influências, todavia, é comum que o indivíduo realize sua decisão profissional de forma equivocada. Esta decisão, que se configura como uma das mais importantes da vida de todos nós, quando tomada de forma equivocada, implica em sérias conseqüências que podem, inclusive, repercutir por toda a vida.

É possível que o indivíduo que tenha realizado sua escolha profissional de forma equivocada jamais tenha consciência disso. Entretanto, talvez, levará sempre consigo um incômodo, que nem sempre é bem definido, e alcançará de forma precária satisfação e felicidade nas atividades que desenvolve em seu dia-a-dia. Ressalto aqui que não falo de compensação monetária pela realização de uma função ou tarefa; Sim de realização e satisfação pessoal no trabalho.

Há possibilidades, porém, do indivíduo tomar consciência de seu equívoco ainda durante o período de preparação para o exercício da profissão, ou seja, ainda durante a faculdade ou curso profissionalizante. Isto pode ocorrer na medida em que observa de perto as matérias que fazem parte da grade curricular de seu curso específico, que experimenta um pouco da prática da profissão através de estágios ou ainda quando tem contato com outra profissão (profissionais e estudantes) que culmine no despertar de seu interesse.

Em outros casos, também podemos entender possível que o indivíduo passe a ter consciência de seu equívoco após a conclusão da faculdade ou curso profissionalizante, quando da inserção no mercado de trabalho. Muitas vezes a saída encontrada por indivíduos nesta situação é encontrar uma colocação no mercado de trabalho em uma área diferente de sua formação acadêmica, ou seja, atuando em uma área diferente da qual, por anos, se preparou para atuar.
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Em todos os casos é possível que o indivíduo reconduza sua vida a caminhos que o possibilitem encontrar satisfação e felicidade em suas atividades laborativas. No entanto, seja em qual momento for que o indivíduo perceba que realizou sua escolha profissional de forma equivocada, ele terá que se haver com algumas conseqüências.

Podemos citar três principais conseqüências da escolha profissional equivocada:

O desperdício de dinheiro: Este é um fator que deve ser levado em consideração. O indivíduo quando realiza sua escolha profissional de forma equivocada e toma a decisão de deixar o curso inicialmente pretendido, empenha uma grande importância para financiar os estudos, sobretudo tratando-se de escolas de formação ou faculdades particulares, mas não tem condições de perceber, a contento, o retorno deste investimento, que vezes é de responsabilidade do próprio indivíduo, vezes é de responsabilidade de seus familiares.

O desperdício do tempo: O tempo para aquele indivíduo que não acertou em sua escolha profissional não é muito grato. Para que o indivíduo tenha consciência que realizou sua escolha profissional de forma equivocada, não há tempo delimitado. Desta forma, pode ser necessário meses ou mesmo anos até que esta tomada de consciência ocorra. Assim sendo, todo este tempo que o indivíduo dedicou a uma atividade a qual decidiu abandonar, não lhe será servido novamente.

O desperdício de energia: A esta conseqüência, muitas vezes, não é oferecida tanta atenção, no entanto esta talvez seja a conseqüência de maior proporção em relação às outras. Quando falamos em dedicar energia à uma atividade, falamos em sonhar, planejar e nos organizar para realizá-la com responsabilidade. Ao passo em que no caso de uma tomada de consciência da escolha equivocada de uma profissão, nos deparamos com o desperdício de energia que foi aplicada na preparação, até ali, para se profissionalizar ou se graduar e até mesmo em atividades no mercado de trabalho. E isto significa abandonar aquilo que um dia foi um sonho, se frustrar.

A satisfação e o prazer nas atividades laborativas são elementos essenciais na prática de uma atividade profissional. Na medida em que o indivíduo tenha condições de perceber, seja em que momento for, que a profissão que foi inicialmente escolhida não apresente condições de atender seus anseios de realização, o caminho que lhe resta é realmente realizar uma nova opção profissional.

Contudo, saliento a importância da reflexão e atenção às diversas influências que incidem sobre nós no momento da decisão profissional. Até mesmo considerar a busca por auxílio profissional para isso. Assim o indivíduo terá condições de se cercar dos riscos de realizar sua decisão profissional de forma equivocada (considerando todas as conseqüências que uma escolha profissional equivocada pode trazer) e, conseqüentemente, aumentar consideravelmente suas possibilidades de alcançar satisfação e prazer nas atividades laborativas.    

domingo, 7 de agosto de 2011

Como realizar a escolha profissional?


É diante deste questionamento que muitos de nós nos deparamos algumas vezes na vida. Digo algumas vezes na vida, pois a escolha profissional não se dá apenas ao final do ensino médio e no momento de realização do vestibular. Mesmo após a conclusão do ensino profissionalizante, tecnólogo ou superior, é necessário que realizemos escolhas acerca das várias oportunidades que o mercado oferece. E como estas oportunidades oferecidas pelo mercado são inúmeras, é natural nos questionarmos sobre qual escolha realizar.

Esta difícil tarefa desperta angústias e dúvidas sobre como realizar a escolha profissional e sobre as conseqüências desta escolha. O indivíduo que não se encontre preparado para realizá-la pode nunca se sentir satisfeito, entendendo ele que se talvez tivesse realizado sua escolha de forma diferente ou mesmo optado por outra profissão ou outro campo de atuação estaria mais satisfeito e realizado.  

Para se cercar das possibilidades de realizar uma escolha profissional equivocada é fundamental que o indivíduo esteja atento a três importantes fatores:

Autoconhecimento: É importante que o indivíduo se conheça para acertar na escolha profissional. Saber bem sobre seus interesses, suas aptidões e suas habilidades é fundamental neste momento.

Influências: Observar e conseguir se desvencilhar das diversas influências que incidem sobre o indivíduo neste momento é ponto fundamental para acertar na escolha profissional. O trabalho é identificar as várias influências – a família, os amigos, pessoas que são referências como profissionais, o próprio mercado de trabalho com suas tendências, entre outros. E então desvencilhar-se delas realizando sua escolha profissional de forma autônoma.

Informação Ocupacional: Buscar informações sobre o mundo das profissões é também fundamental neste processo. É necessário se informar sobre a grade curricular dos cursos que o indivíduo acreditar ter mais afinidades, sobre as habilidades necessárias para exercer a profissão, sobre as possibilidades de atuação no mercado de trabalho, sobre a saturação do mercado, saber sobre a média salarial, entre outro.  

Acredito que o indivíduo que se atentar a estes três fatores acima citados, terá condições de realizar sua (re) escolha profissional de forma mais responsável, autônoma e madura Conseqüentemente evitará os efeitos de uma escolha equivocada e terá mais condições de se satisfazer profissionalmente e pessoalmente.


sábado, 30 de julho de 2011

A família e a escolha profissional


O momento da escolha profissional, segundo Marcos Ueda, especialista em educação pra adolescentes, ”é o momento em que iniciamos a construção daquilo que planejamos para nós”. Podemos concluir que este momento passa a se configurar como um dos mais importantes da vida, pois a escolha primeira sobre qual rumo profissional tomar incidirá sobre toda a vida que do indivíduo, determinando o tipo de vida que levará, quais atividades desenvolverá, qual ambiente profissional freqüentará, ente outros.

Neste momento é importante que o jovem tenha consciência das diversas influências que agem sobre ele. Desta forma espera-se que ele tenha habilidade de se desvencilhar destas amarras com o objetivo de realizar sua escolha profissional da forma autônoma possível, considerando suas aptidões, interesses e habilidades. O que nem sempre é um processo simples.

A família, via de regra, exerce grande influência neste momento.  É natural observarmos os pais, até mesmo antes do nascimento do filho, passando pela infância e culminando na adolescência, realizarem a construção de diversas projeções acerca do futuro dos filhos.

Podemos associar este característico comportamento dos pais a um amor e cuidado sem igual, às vezes desejando que os filhos sigam suas carreiras profissionais, seja dando continuidade às atividades de uma empresa, de um escritório ou que o filho siga a profissão tradicional da família, que já se perpetua por gerações, afim de que ele venha a obter o mesmo sucesso e prestígio que ele obteve. Às vezes desejando que filho dê um rumo diferente ao que ele deu à sua própria carreira, entendendo que ele não quer que o filho vivencie as dificuldades e decepções que ele vivenciou.  No entanto esse excesso de zelo e cuidado pode ser prejudicial, uma vez que o desejo do jovem pode ser diferente do dos pais e, então, se configurarem como conflitantes.

Ao jovem resta uma grande batata quente em suas mãos. Se de um lado há o momento onde o jovem inicia a construção daquilo que ele planeja para seu futuro, e aí são determinantes suas aspirações, suas habilidades, seus desejos. De outro há uma construção acerca de se futuro já, anteriormente, realizada por seus pais.

Diante deste conflito de desejos e interesses é possível que certa angústia acometa o indivíduo que vive esta situação. Angústia esta que surge da necessidade da tomada de decisão profissional, a qual ele é cobrado inclusive pela família, em meio às pressões antagônicas.

A fim de dar tratamento a este impasse e suprimir estas angústias, cabe ao indivíduo empenhar esforços para diferenciar seus desejos e aspirações dos desejos e projetos de sua família e optar por eles. Vencida esta etapa resta a, nem sempre fácil, tarefa de bancar sua decisão profissional perante a família. Afinal de contas é o futuro e a vida dele que estão em jogo e nada melhor que os argumentos utilizados para a tomada de decisão profissional sejam baseados em desejos, valores e informações do próprio indivíduo.

À família cabe orientar e apoiar o indivíduo que passa por um dos momentos mais delicados de sua vida, compreendendo que o mais justo é que filho realize suas escolhas na vida de forma autônoma, baseado em todos os valores e conceitos que lhe foram transmitidos em sua criação, todavia de forma responsável. Se referenciar como um “porto-seguro” ao indivíduo neste momento, muitas vezes, é o que o indivíduo espera de sua família.

sábado, 23 de julho de 2011

A angústia da escolha




A escolha será um tema que repetidamente abordarei neste espaço, senão o tema que perceberão mais presente aqui. Isto pois ao falarmos de tomada de decisão profissional, por mais que diversos outros importantes temas se façam fundamentais, de alguma forma, tocamos na angustiante tarefa da escolha.

É necessário, o tempo todo em nossas vidas, realizar diversas escolhas, o que nos permite repetir um conhecido clichê, que somos frutos de nossas escolhas. Todavia decidir em meio tantas opções, muitas vezes, nos causa desconforto e angústia, uma vez que necessariamente somos forçados a deixar todas as opções que, em um dado momento, não são tidas como as melhores a serem feitas para trás em detrimento de uma única, que julgamos a melhor para nossa vida e assumir as conseqüências deste ato.

O fato de sermos interpelados por sentimentos de desconforto e angústia em momentos de decisão pode ser entendido como natural, uma vez que não somos dotados de destreza suficiente para dar prontas respostas às infinitas situações de escolhas que podemos vivenciar. Interessante é entender as angústias frente a momentos de decisão como positiva. E o que seria isso? É entender a angústia como um sinal. Na medida em que a angústia surge é sinal de que não estamos totalmente certos do que realmente queremos, que a escolha ainda não estão bem definida. Desta forma, observado o sinal que nos é dado, devemos refletir sobre este sentimento que se instala transformando-o em oportunidade de nos movimentar e não de nos paralisar.

Ocorre que muitas vezes, geralmente para questões que não representam escolhas significativas em nossas vidas, estes desconfortos e angústias nos vêm e em seguida passam. Isto pelo próprio fato de se tratar de escolhas referentes a questões simples do cotidiano e, seja qual for a opção escolhida, ela não afetará de forma severa nosso futuro e nossa vida.

Todavia outras escolhas, estas mais pontuais em nossas vidas, nos sugerem até mesmo que estão condicionadas a angústias, que seria impossível vivenciar alguns momentos de decisão sem que este sentimento se fizesse presente. A escolha profissional pode ser entendida como um destes momentos, caracterizando-se por trazer consigo grande componente angustiante. Afinal, via de regra, em plena adolescência, período já marcado por diversas transformações e grandes angústias, nos é solicitado a realização de uma escolha que determinará todo o rumo de nossa vida.

Ocorre que, estando o indivíduo certo de seus interesses e de suas habilidades, atento às influências que incidem sobre ele, bem informado sobre as possibilidades de escolha e sobre as conseqüências e responsabilidades ao se optar por cada uma, esta angústia que outrora incomodava, inclusive se colocando como paralisante, pode ser minimizada e até mesmo suprimida.

Neste momento, lançar mão de auxílio profissional pode ser de grande valia. O jovem, imerso em muitas dúvidas e muitas vezes pressionado pela sociedade, tem dificuldades para equacionar os diversos elementos importantes para tomar a melhor decisão.   

Sem dar manuais ou receitas o profissional solicitado auxiliará ao jovem no processo de autoconhecimento, onde as habilidades, aptidões e interesses serão clarificados, também serão observadas as influência que pesam sobre este ele e, por fim, lhe auxiliará a obter informações sobre o mundo das profissões. Atuando, sobretudo, nestas três frentes, ao final do processo, o jovem terá mais condições de realizar uma escolha profissional madura e responsável.

Frente às diversas escolhas que temos que realizar, sobretudo à escolha profissional, ao passo que passamos a guiar as rédeas destes processos, tendo claras as influências que nos atingem, sabendo mais sobre as realidades das profissões e nos conhecendo um pouco melhor, temos o necessário para combater as angústias que nos interpelam e nos prejudicam e para realizar a melhor escolha possível.