sábado, 30 de julho de 2011

A família e a escolha profissional


O momento da escolha profissional, segundo Marcos Ueda, especialista em educação pra adolescentes, ”é o momento em que iniciamos a construção daquilo que planejamos para nós”. Podemos concluir que este momento passa a se configurar como um dos mais importantes da vida, pois a escolha primeira sobre qual rumo profissional tomar incidirá sobre toda a vida que do indivíduo, determinando o tipo de vida que levará, quais atividades desenvolverá, qual ambiente profissional freqüentará, ente outros.

Neste momento é importante que o jovem tenha consciência das diversas influências que agem sobre ele. Desta forma espera-se que ele tenha habilidade de se desvencilhar destas amarras com o objetivo de realizar sua escolha profissional da forma autônoma possível, considerando suas aptidões, interesses e habilidades. O que nem sempre é um processo simples.

A família, via de regra, exerce grande influência neste momento.  É natural observarmos os pais, até mesmo antes do nascimento do filho, passando pela infância e culminando na adolescência, realizarem a construção de diversas projeções acerca do futuro dos filhos.

Podemos associar este característico comportamento dos pais a um amor e cuidado sem igual, às vezes desejando que os filhos sigam suas carreiras profissionais, seja dando continuidade às atividades de uma empresa, de um escritório ou que o filho siga a profissão tradicional da família, que já se perpetua por gerações, afim de que ele venha a obter o mesmo sucesso e prestígio que ele obteve. Às vezes desejando que filho dê um rumo diferente ao que ele deu à sua própria carreira, entendendo que ele não quer que o filho vivencie as dificuldades e decepções que ele vivenciou.  No entanto esse excesso de zelo e cuidado pode ser prejudicial, uma vez que o desejo do jovem pode ser diferente do dos pais e, então, se configurarem como conflitantes.

Ao jovem resta uma grande batata quente em suas mãos. Se de um lado há o momento onde o jovem inicia a construção daquilo que ele planeja para seu futuro, e aí são determinantes suas aspirações, suas habilidades, seus desejos. De outro há uma construção acerca de se futuro já, anteriormente, realizada por seus pais.

Diante deste conflito de desejos e interesses é possível que certa angústia acometa o indivíduo que vive esta situação. Angústia esta que surge da necessidade da tomada de decisão profissional, a qual ele é cobrado inclusive pela família, em meio às pressões antagônicas.

A fim de dar tratamento a este impasse e suprimir estas angústias, cabe ao indivíduo empenhar esforços para diferenciar seus desejos e aspirações dos desejos e projetos de sua família e optar por eles. Vencida esta etapa resta a, nem sempre fácil, tarefa de bancar sua decisão profissional perante a família. Afinal de contas é o futuro e a vida dele que estão em jogo e nada melhor que os argumentos utilizados para a tomada de decisão profissional sejam baseados em desejos, valores e informações do próprio indivíduo.

À família cabe orientar e apoiar o indivíduo que passa por um dos momentos mais delicados de sua vida, compreendendo que o mais justo é que filho realize suas escolhas na vida de forma autônoma, baseado em todos os valores e conceitos que lhe foram transmitidos em sua criação, todavia de forma responsável. Se referenciar como um “porto-seguro” ao indivíduo neste momento, muitas vezes, é o que o indivíduo espera de sua família.

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