A escolha será um tema que repetidamente abordarei neste espaço, senão o tema que perceberão mais presente aqui. Isto pois ao falarmos de tomada de decisão profissional, por mais que diversos outros importantes temas se façam fundamentais, de alguma forma, tocamos na angustiante tarefa da escolha.
É necessário, o tempo todo em nossas vidas, realizar diversas escolhas, o que nos permite repetir um conhecido clichê, que somos frutos de nossas escolhas. Todavia decidir em meio tantas opções, muitas vezes, nos causa desconforto e angústia, uma vez que necessariamente somos forçados a deixar todas as opções que, em um dado momento, não são tidas como as melhores a serem feitas para trás em detrimento de uma única, que julgamos a melhor para nossa vida e assumir as conseqüências deste ato.
O fato de sermos interpelados por sentimentos de desconforto e angústia em momentos de decisão pode ser entendido como natural, uma vez que não somos dotados de destreza suficiente para dar prontas respostas às infinitas situações de escolhas que podemos vivenciar. Interessante é entender as angústias frente a momentos de decisão como positiva. E o que seria isso? É entender a angústia como um sinal. Na medida em que a angústia surge é sinal de que não estamos totalmente certos do que realmente queremos, que a escolha ainda não estão bem definida. Desta forma, observado o sinal que nos é dado, devemos refletir sobre este sentimento que se instala transformando-o em oportunidade de nos movimentar e não de nos paralisar.
Ocorre que muitas vezes, geralmente para questões que não representam escolhas significativas em nossas vidas, estes desconfortos e angústias nos vêm e em seguida passam. Isto pelo próprio fato de se tratar de escolhas referentes a questões simples do cotidiano e, seja qual for a opção escolhida, ela não afetará de forma severa nosso futuro e nossa vida.
Todavia outras escolhas, estas mais pontuais em nossas vidas, nos sugerem até mesmo que estão condicionadas a angústias, que seria impossível vivenciar alguns momentos de decisão sem que este sentimento se fizesse presente. A escolha profissional pode ser entendida como um destes momentos, caracterizando-se por trazer consigo grande componente angustiante. Afinal, via de regra, em plena adolescência, período já marcado por diversas transformações e grandes angústias, nos é solicitado a realização de uma escolha que determinará todo o rumo de nossa vida.
Ocorre que, estando o indivíduo certo de seus interesses e de suas habilidades, atento às influências que incidem sobre ele, bem informado sobre as possibilidades de escolha e sobre as conseqüências e responsabilidades ao se optar por cada uma, esta angústia que outrora incomodava, inclusive se colocando como paralisante, pode ser minimizada e até mesmo suprimida.
Neste momento, lançar mão de auxílio profissional pode ser de grande valia. O jovem, imerso em muitas dúvidas e muitas vezes pressionado pela sociedade, tem dificuldades para equacionar os diversos elementos importantes para tomar a melhor decisão.
Sem dar manuais ou receitas o profissional solicitado auxiliará ao jovem no processo de autoconhecimento, onde as habilidades, aptidões e interesses serão clarificados, também serão observadas as influência que pesam sobre este ele e, por fim, lhe auxiliará a obter informações sobre o mundo das profissões. Atuando, sobretudo, nestas três frentes, ao final do processo, o jovem terá mais condições de realizar uma escolha profissional madura e responsável.
Frente às diversas escolhas que temos que realizar, sobretudo à escolha profissional, ao passo que passamos a guiar as rédeas destes processos, tendo claras as influências que nos atingem, sabendo mais sobre as realidades das profissões e nos conhecendo um pouco melhor, temos o necessário para combater as angústias que nos interpelam e nos prejudicam e para realizar a melhor escolha possível.

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