Na matéria da revista Super Interessante deste mês, Alexandre de Santi expõe uma observação biologicista sobre o processo de tomada de decisão. Assim ele diz de uma engrenagem cerebral composta por três instâncias capazes de determinar as decisões que tomamos. São elas a razão, o instinto e a experiência. Cada uma das instâncias, quando acionadas, isoladamente é responsável por produzir e/ou liberar substâncias químicas cerebrais capazes de determinar a forma com que o indivíduo irá lidar com a situação posta afim de realizar a tomada de decisão.
Voltando nossos olhares à tomada de decisão profissional, podemos encontrar algumas semelhanças entre o que disse Alexandre de Santi em sua publicação e o que diz a teoria da orientação profissional Clínico-Operativo, sobretudo tomando como referência o tripé que compõe sua base: Autoconhecimento, informação ocupacional e conhecimento das influências:
Razão X Informação Ocupacional
Quando a matéria cita a razão como uma instância capaz de determinar decisões, ela a caracteriza por ser responsável pela frieza no momento da decisão, por realizar os cálculos das conseqüências das decisões. Podemos correlacionar esta instância a informação ocupacional, uma vez que o ato de buscar informações sobre o universo das profissões pode ser entendido como um exercício de observar, de se atentar e de se firmar na realidade. Assim o indivíduo terá informações suficientes, como sobre a grades curriculares de cursos, sobre a realidade do mercado de trabalho e sobre a média salarial, para lhe auxiliar na tomada de decisão profissional.
Instinto X Autoconhecimento
É dado ao instinto, também enquanto instância capaz de determinar decisões, a característica de atuar em prol da vida através de lampejos, que, inclusive, pode preterir o que profere a razão. Aqui, talvez, o autoconhecimento possa servir de contraponto para pensarmos na decisão profissional. Caminhar rumo ao autoconhecimento significa adiquirir maior clareza das aptidões, dos interesses e das habilidades, ou seja, tornar consciente estes importantes elementos que muitas vezes não recebem a atenção e o tratamento necessários.
Experiência X Conhecimento das Influências
Por fim, quando Alexandre de Santi fala sobre a experiência, e para isso ele a caracteriza como uma espécie de arquivo cerebral capaz registrar fatos agradáveis e desagradáveis para serem utilizados como parâmetro para serem repetidas ou não, podemos correlacionar com o conhecimento das influências. Na medida em que o indivíduo tem clareza das pessoas, situações e fatos que exercem influências sobre ele, e aqui valem influências positivas e negativas, ele tem mais autonomia para administrar todos os elementos que, em maior ou menor grau, o afetam.
Apesar de se tratar de visões acerca da tomada de decisão totalmente diametrais, é possível encontrar interseções interessantes que findam por aproximá-las. Mas diante destas diferenças valho-me em observar um fundamental detalhe que as impedem de caminhar lado a lado. A teoria biologicista descrita por Alexandre de Santi roga que no momento da tomada de decisão apenas uma das instâncias, razão, instinto ou experiência, será responsável por conduzir o indivíduo a uma determinada decisão. Já a teoria referente a orientação profissional entende a importância da atenção, concomitantemente, à todos os elementos que compõe sua base, o seu tripé: Autoconhecimento, informação ocupacional e conhecimento das influências.
Acredito que olhares diversos sobre a temática da toma de decisão, sobretudo sobre a tomada de decisão profissional, tem muito a acrescentar às nossas reflexões. O momento da decisão profissional, como sabemos, não é simples ou banal e requer atenção e cuidado. Frente a este precioso momento temos que ter nossas mentes abertas para receber novos elementos para colaborar neste processo de reflexão, mas não sem deixar a crítica de lado.

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